Mais sobre tinturas e descolorantes

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Olá, pessoas!

Esse post é a continuação do assunto Tinturas e descolorantes, onde eu falei um pouco dos aspectos químicos desses processos. Aqui falarei sobre vantagens e desvantagens, cuidados e segurança de tinturas e descolorantes e o impacto desses processos na fibra do cabelo.

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@markiemeghan

Cada pessoa tem um motivo diferente pra colorir ou descolorir o cabelo, então as vantagens na verdade acabam sendo coisas muito pessoais. Mas de modo geral, o maior fator para a mudança na cor dos cabelos é o apelo estético. Levanta a mão aqui quem nunca pintou o cabelo porque precisava dar um up na auto-estima, se sentir mais jovem ou mais atraente!?! Uma cor nova de cabelo pode trazer a pessoa amada (ou seja, você) em 40 minutos após uma rápida passadinha na farmácia. Mas por mais rápido, prático e às vezes barato que essa mudança de visual possa ser, é importante que sejam tomadas certas precauções para que o seu cabelo dos sonhos não vá por água abaixo (literalmente).

Já expliquei no outro post que as tinturas permanentes, algumas semi-permanentes e os descolorantes contém agentes oxidantes, como o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e no processo de mistura também pode se formar amônia. Esses e outros componentes têm potencial para causar alergias, além de graves irritações se entrarem em contato com os olhos ou mucosas. Mas não se assuste, se você costuma utilizar kits de farmácia, eles já vêm nas medidas adequadas para que os riscos sejam minimizados, mas é importante que se leia sempre, SEMPRE, as instruções que acompanham os produtos, e que sejam feitos os testes na pele 48 horas antes da aplicação, mesmo que você costume usar sempre o mesmo produto ou marca. O local mais indicado para o teste de alergia é na parte de dentro do cotovelo naquele lugarzinho que faz você chorar toda vez que precisa tirar sangue, sabe?

Além do fator alergia e irritação, existem outras desvantagens muito conhecidas de quem pinta o cabelo que são falta de brilho e maciez, aumento da elasticidade, fios quebradiços etc. Isso acontece porque o peróxido de hidrogênio em solução aquosa (a famosa água oxigenada) tem pH em torno de 10~11, numa escala de 1 a 14. O cabelo (que não é uma solução aquosa) tem um pH calculado entre 4,5~5,0 na mesma escala, pois é revestido por uma gordura conhecida como Ácido 18-metil eicosanóico ou 18-MEA. O peróxido destrói essas ligações de 18-MEA ocasionando primeiramente a perda de brilho e maciez. Depois, dependendo da concentração e quantidade, as ligações de enxofre entre as moléculas de queratina são rompidas causando a porosidade do cabelo, mas graças a isso é que se consegue chegar ao córtex e romper, por fim, as ligações entre as moléculas de melanina e as de queratina para que a nova cor seja então adicionada.

Tá, beleza, mas volta lá naquele nome bizarro: 18-metil eco o que????

Ácido 18-metil eicosanóico, 18-MEA ou, do ingês, 18-methyl eicosanoic acid.

Vamos por partes como diria Jack, o estripador:

  • óico quer dizer que é um ácido orgânico (feito de carbonos e com uma ligação dupla com um oxigênio e uma simples com um OH no primeiro carbono);
  • os números indicam em qual carbono da molécula tem alguma coisa pendurada, ou seja, uma ramificação (nesse caso é no carbono 18);
  • a palavra que vem logo após o número e o tracinho é a tal ramificação (aqui temos um metil [CH3], se você já teve aulas de química talvez se lembre que o radical MET indica que ali está apenas 1 carbono);
  • o restante da palavra, geralmente em latim, indica quantos carbonos formam a cadeia principal da molécula apesar de que às vezes esse nome é substituído por um nome mais popular (aqui o eicos indica que são 20 carbonos);
  • por fim, o sufixo “an” indica que esses 20 carbonos estão ligados por ligações simples, ou seja, um tracinho desses da figura abaixo entre cada carbono.

 

 

Ou seja, Ácido 18-metil eicosanóico é um ácido orgânico com 20 carbonos e um radical metil no carbono 18. No caso de moléculas, quando o número de átomos passa de 15 a 20 unidades elas já podem ser consideradas grandes. Quanto maior o número de carbonos, menor a atração dessas moléculas com a água. Assim, esse ácido é considerado um ácido graxo, ou seja, uma gordura, por causa da quantidade de carbonos presentes.

Os danos causados pelo peróxido à camada de gordura, à cutícula e ao córtex do cabelo são irreversíveis, mas podem ser tratados com alguns produtos e procedimentos. O primeiro passo para evitar que o dano aumente é a utilização da técnica de aplicação mais apropriada quando retocar a cor. Sempre aplique a tinta somente na parte crescida do cabelo (a raiz), pra evitar uma exposição desnecessária do restante do cabelo com os oxidantes. Além disso, é sempre bom utilizar shampoos e condicionadores para cabelos tingidos, pois eles contém ingredientes específicos que interagem com a superfície da cutícula, protegendo-a contra danos mecânicos, como a escovação. A exposição ao sol também deve ser minimizada porque a radiação ultravioleta não só contribui para os danos do cabelo, mas também tem um impacto direto sobre o desbotamento da cor. Vale lembrar que o que mais contribui para o desbotamento da cor é a água, então o ideal é não lavar os cabelos tingidos com tanta frequência caso queira manter a cor vibrante por mais tempo.

E aí, o que acharam do post de hoje? Deixe seu comentário aqui embaixo com sugestões, dúvidas etc. E me contem também se acham mais interessante aprender química lendo um blog de cosméticos, se a leitura é fácil ou se mesmo assim ainda está muito complicado.

Em breve farei algumas postagens mais específicas de alguns conteúdos como pH, ácidos, bases etc pra facilitar a compreensão e enriquecer o dia-a-dia de todos, mas alguns conceitos já estão explicados no Glossário.

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Beijos e até a próxima!

 

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Tinturas e descolorantes

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A história da coloração dos cabelos teve início, ou pelo menos relatos, a partir das dinastias antigas do Egito e China, onde a havia abundância de corantes naturais minerais e vegetais que eram muito utilizados. O mais popular dos corantes vegetais é sem dúvida a Hena, obtida através de extratos da casca e das folhas da planta Lawsonia inermis, resultando numa coloração castanho-avermelhada. Continuar lendo

Cosméticos de 3500 anos encontrados no Louvre

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Fonte: © CEA/Laurence Godart l.godart@free.fr

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Cerusita

Uma equipe de pesquisadores analisou diversas peças do museu do Louvre, em Paris, e encontrou resíduos de cosméticos Gregos e Egípcios de aproximadamente 3500 anos!
Nos cosméticos foram encontrados carbonatos de chumbo, componentes comuns de tintas e pigmentos produzidos pelas civilizações antigas. Para produzir os pigmentos, as civilizações egípcias antigas extraíam um mineral chamado cerusita, composto de carbonato de chumbo. Continuar lendo