Tinturas e descolorantes

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A história da coloração dos cabelos teve início, ou pelo menos relatos, a partir das dinastias antigas do Egito e China, onde a havia abundância de corantes naturais minerais e vegetais que eram muito utilizados. O mais popular dos corantes vegetais é sem dúvida a Hena, obtida através de extratos da casca e das folhas da planta Lawsonia inermis, resultando numa coloração castanho-avermelhada. Porém, extratos de outras plantas são comumente adicionados para obter tons mais escuros. Dentre os corantes minerais, vários compostos já foram utilizados como corantes tais como acetato e, sulfeto de chumbo (o popular Kohl utilizado para delinear os olhos), nitrato de prata e também sais de bismuto, cobre e cobalto . Atualmente, por questões de saúde e segurança, apenas o acetato de chumbo é comercializado e deve conter no máximo 0,6% de chumbo, pois grandes concentrações desse metal no organismo pode causar várias doenças neurológicas e gastrointestinais. Mas graças ao avanço da ciência e da tecnologia existem as tinturas sintéticas acessíveis que, se usadas da maneira correta, garantem que nossa saúde não seja afetada.

Lawsone - henna - 2-Hydroxy-1-4-naphthoquinone

Lawsone, molécula responsável pela cor da tintura de Hena

Hoje em dia uma grande variedade de corantes e tinturas estão disponíveis para quem queira realçar a cor dos cabelos. A ciência da coloração dos cabelos é uma área muito estudada, apesar da técnica em si não ter sofrido muitas alterações ao longo dos anos. Tinturas naturais, tais como hena e minerais ainda são usadas, mas a coloração dos cabelos cada vez mais envolve manipulação química. Além disso, a procura por cores exóticas aumenta a cada dia,

O processo de tingimento geralmente é feito por reações de oxidação, permitindo uma penetração profunda do corante no córtex do fio, mas também pode envolver apenas a absorção ou adsorção do corante na superfície do cabelo. A cutícula do cabelo atua como uma barreira para a absorção de corantes, principalmente os que envolvem moléculas grandes. A absorção depende da proporção entre o corante e o meio que ele é transportado (água, álcool, creme…), da porosidade do cabelo, pH e a carga química (positiva, negativa ou neutra).

A durabilidade da cor desejada depende do tipo de interação entre o tipo tintura escolhida e o fio de cabelo. Os tipos de tintura geralmente são classificados como temporárias, semi-permanentes e permanentes.

As temporárias são aquelas que saem na primeira lavagem, disponíveis geralmente em creme ou spray e são uma boa opção pra quem quer mudar a cor do cabelo só por um dia pra alguma ocasião especial. Quimicamente falando, essas tinturas geralmente são ácidas (pH abaixo de 7,0) e aderem à superfície do fio sem atravessar a barreira da cutícula, o que impede esses produtos de alterarem a estrutura do cabelo. A maioria é solúvel em água e apresenta moléculas grandes (com 15 ou mais átomos de carbono na estrutura).

violeta 43 laranja 87

Moléculas dos corantes Violeta 43 e Laranja 87, respectivamente

Tinturas semipermanentes são feitas para durar entre 6 a 8 semanas. Conhecidas também como shampoos tonalizantes, podem conter agentes oxidantes em baixas concentrações caso a cor desejada seja em tons de loiro ou vermelhos especiais. Se não for utilizado agente oxidante não há alteração na estrutura do cabelo, ou seja, a melanina é parcialmente mascarada, mas não é desligada da queratina. As moléculas de corante atravessam a cutícula por difusão com o auxílio de tensoativos ou surfactantes (no caso, o shampoo) e após algumas lavagens o cabelo volta à cor natural. Esse método utiliza corantes que já são coloridos, ou seja, a tintura que você compra já é praticamente da cor que você quer que seu cabelo tenha.

Para quem espera uma mudança mais radical e duradoura as tinturas permanentes são as mais indicadas. É possível encontrar kits prontos desde lojinhas de 1,99 (que hoje em dia vendem nada por 1,99) até em lojas especializadas de cosméticos. O kit normalmente conta com uma bisnaga com o creme e o precursor da cor e um tubo contendo uma solução do agente oxidante (em geral peróxido de hidrogênio líquido ou em creme). Esse processo envolve uma série de reações químicas desde a formação do corante, quebra das ligações entre as melaninas e a queratina até o acoplamento das moléculas de corante no córtex.

Ainda é possível descolorir o cabelo sem aplicar um corante em seguida. O procedimento é feito com um pó descolorante contendo persulfato de potássio ou persulfato de amônia em mistura com peróxido de hidrogênio. O problema de não tingir o cabelo após a descoloração é que nos locais onde as melaninas foram desconectadas da queratina formam-se poros deixando o cabelo com aquela cara de vassoura de palha. Isso geralmente acontece porque o cabelo fica com muitas cargas negativas disponíveis sem nenhuma carga positiva para estabilizar, porém com a utilização de shampoos mais ácidos ou soluções de ácido acético (o famoso vinagre) é possível diminuir esse efeito.

Um super beijo e aguardo vocês nos comentários e nas próximas postagens!!

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Uma resposta em “Tinturas e descolorantes

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